sábado, 8 de dezembro de 2012

"Tudo é baseado nesse delírio masoquista da auto-manutenção"

Pensei em como a nossa vida é ditada pelas necessidades e desejos.
Parece que a gente tá o tempo todo só correndo atrás de preencher um espaço vazio. É sempre fome, sede, frio, calor, carência afetiva, necessidades materiais, falta de sexo, de experiências novas, de amor próprio... E isso não pára nunca. A gente nasceu com um buraco negro dentro de si e nunca vai se sentir saciado com nada.
Repare só: uma pessoa gasta em média 70% da energia em funções vitais (como respirar, bater o coração e manter a temperatura do corpo equilibrada). Ou seja, sobre apenas 30% de energia "livre" pro nosso corpo. Das 100 chances de se fazer o que quiser (na condição limitada do "querer" humano entre existir e se fazer alcançado), apenas 30 delas poderão (em tese) ser usadas. É muito pouco.
E a gente investe a vida toda nisso, em suprir as faltas. Armamos todo um sistema que potencializa isso e organizamos as normas de conduta de um indivíduo dentro da sociedade, só pra garantir a sua manutenção e a preservação das chances dele de dar vazão aos seus quereres (desde que ele cumpra com o que lhe é exigido, já que tudo é recompensa suada). Sabemos - ou presumimos - que não somos capazes de suprí-las sem estar dentro dela. Alteramos o planeta e causamos desequilíbrio ecológico, promovemos guerras mundiais, criamos todo tipo de inovação tecnológica e tendência comportamental. Estudamos pra trabalhar pra ganhar dinheiro pra comprar pra sermos amados pra reproduzir pra gerar filhos pra manter a espécie. E pra quê?
Às vezes, me parece perda de tempo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Anestesiarmistício

Tavam numa festa o Homem Que É Homem, a Mulher de Verdade, a Mãe e o Pai de Família, o Filho Perfeito, a Bicha Afetada, a Mal Comida, o Preto Macaco, a Fancha Caminhoneira, o Padre Pedófilo, o Pastor Homofóbico, o Almeidinha, a Pelegada, o Reaça, o Maconheiro e a Classe Média. Todo mundo feliz, planejando a 3ª Guerra Mundial. As condições: em nome do governo, mas sem ajuda dele; em nome da família, mas contra o amor e o respeito, terminantemente contra tudo e todos, mas de participação livre. Resolveram também que a fome e a falta continuariam, mas não seriam só de pão. Agora também teriam fome de abraço, conversa, liberdade, cultura e poesia. No caso dos desertores, o melhor remédio era a anestesia constante. Desde nascença qu'eu tenho tubos no lugar das veias.
Serve o que vier mais rápido e fizer efeito por mais tempo.