quanta pretensão julgar-se assim,
suficiente entendedor das coisas,
sabedor de todo real e irreal.
mas criança,
o que faz sentido te escapa às mãos,
é tudo muito maior do que podes cogitar
no final cê tá preso dentro de si
ou livre demais pra saber se tá vivo
o problema é sempre o dia seguinte.
há poesia demais pra transcender
sábado, 27 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
Fraternidade
renega aquele teu igual
e não se sabe como saiu tão diferente assim,
esse que a gente não reconhece como seu
nele cospe, escarra, vomita, taca lixo e merda
e no entanto, não tem coragem de nada
e só em pensamento consegue ferir
tem pena de ser tão podre e pequeno,
indiferente daquele que deveria lhe importar
não, prefere longe esse fruto criado,
pra não lembrar qu'ele ainda respira ao lado
e não se sabe como saiu tão diferente assim,
esse que a gente não reconhece como seu
nele cospe, escarra, vomita, taca lixo e merda
e no entanto, não tem coragem de nada
e só em pensamento consegue ferir
tem pena de ser tão podre e pequeno,
indiferente daquele que deveria lhe importar
não, prefere longe esse fruto criado,
pra não lembrar qu'ele ainda respira ao lado
Cisma
- Tuas pernas...
- Quê que tem?
- Tuas pernas cruzadas... Não gosto.
- Como assim não gosta?
- Não gosto das tuas pernas cruzadas. Simples assim. Prefiro abertas.
- Quê que tem?
- Tuas pernas cruzadas... Não gosto.
- Como assim não gosta?
- Não gosto das tuas pernas cruzadas. Simples assim. Prefiro abertas.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Da Dúvida
aí você não aguenta e transborda pelos olhos
mas no fundo
tá tudo embaralhado
e você não sabe mais
se é covarde por estar respirando
ou forte por chorar
mas no fundo
tá tudo embaralhado
e você não sabe mais
se é covarde por estar respirando
ou forte por chorar
domingo, 14 de abril de 2013
Contateando
pessoalmente, não há coisa mais reconfortante
que o toque
o que transborda de pele pra pele
é estado de graça por contágio
que o toque
o que transborda de pele pra pele
é estado de graça por contágio
sábado, 6 de abril de 2013
Bilhete de Ressaca
"Lembrei dela quando tava doidona,
quis que ela soubesse,
não sei por que...
Só achei bonitinho."
quis que ela soubesse,
não sei por que...
Só achei bonitinho."
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Reencarnação do Escárnio
Fez o que nunca existiu, crescer.
E assim, sem dar na vista
foi se acomodando o que não queria.
De início, o remédio;
depois, uma muleta.
E ela já não andava mais só.
Mas quando a massa desandou
e o que não coube em dois
virou peça de três atos,
a menina se desfez em pó.
Já exausta de pelejar,
quis dissolver-se em copo d'água
e procurou cartela.
Pro seu pesar (ou não), veio o dia claro
e ela teve de se calçar.
Ao final do espetáculo, surpresa da platéia:
o desenho e as contas escritos num samba em dó.
Ela, n'outro canto, com duetos diferentes,
não repete segunda voz.
E compondo sempre em si,
não troca o passo no salão
que é pra nunca faltar
salto agulha no caixão.
E assim, sem dar na vista
foi se acomodando o que não queria.
De início, o remédio;
depois, uma muleta.
E ela já não andava mais só.
Mas quando a massa desandou
e o que não coube em dois
virou peça de três atos,
a menina se desfez em pó.
Já exausta de pelejar,
quis dissolver-se em copo d'água
e procurou cartela.
Pro seu pesar (ou não), veio o dia claro
e ela teve de se calçar.
Ao final do espetáculo, surpresa da platéia:
o desenho e as contas escritos num samba em dó.
Ela, n'outro canto, com duetos diferentes,
não repete segunda voz.
E compondo sempre em si,
não troca o passo no salão
que é pra nunca faltar
salto agulha no caixão.
Dele
Toca-lhe o sino até onde não se pode aguentar
É um intrometido
(além de apressado dentro do próprio ritmo),
um insistente que nunca vai embora,
nunca se despede por completo.
Firme,
de ferro frágil é feita a pele fina,
que ela molha e aperta e beija.
Termina sempre em lágrimas
o que é feito de festa.
É um intrometido
(além de apressado dentro do próprio ritmo),
um insistente que nunca vai embora,
nunca se despede por completo.
Firme,
de ferro frágil é feita a pele fina,
que ela molha e aperta e beija.
Termina sempre em lágrimas
o que é feito de festa.
regurgitofagia poética
aperceber-se d'um
antropomorfismo sonoro e das coisas em geral
esse cercar-se do lirismo letárgico
e cobrir-se dele ad infinitum
que o efêmero nada mais é
do que questão de perspectiva
antropomorfismo sonoro e das coisas em geral
esse cercar-se do lirismo letárgico
e cobrir-se dele ad infinitum
que o efêmero nada mais é
do que questão de perspectiva
moleza num corpo de dois
olhar despido e preguiçoso,
ponta dos dedos subindo pelo umbigo,
barriga, seios, pescoço.
arrepio
ponta dos dedos subindo pelo umbigo,
barriga, seios, pescoço.
arrepio
mãos finas pra ficar brincando
cabeça pesada em alma leve,
de pé já não posso mais
cafuné, conchinha, respirar profundo,
ponta do nariz, sorriso de criança,
nuca, mordida de leve
agarrar braços e pernas
e deitar-se na pele d'outro
pr'acordar como dormiu e ter de novo
a preguiça do corpo de dois
cabeça pesada em alma leve,
de pé já não posso mais
cafuné, conchinha, respirar profundo,
ponta do nariz, sorriso de criança,
nuca, mordida de leve
agarrar braços e pernas
e deitar-se na pele d'outro
pr'acordar como dormiu e ter de novo
a preguiça do corpo de dois
Assinar:
Postagens (Atom)