quarta-feira, 27 de novembro de 2013

estufa

presos eles são
três vasos
em três quartos
se encerram
e a vida corre do lado de fora da janela
mas é tanto sufoco porta adentro
que três flores murcham
em três vasos
nos três quartos

ninguém rega

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

locomotiva

tenho, no centro de mim
pura estafa
e tento me retirar da peleja, mas
- vá pelejar!
eles gritam
e me tiram a bandeira branca das mãos

entorpeço aquilo que dói
e o que me sobra é robótico

dia
noite
dia
noite
o tempo é repetição do tempo

Carlos
Maria
Joana
Roberto
as pessoas são repetições de pessoas

faculdade
trabalho
diversão
problemas
um trago, um gole
as coisas são repetições das coisas

um passo
mais um passo
outro passo
e nada de sair do lugar
posso andar um zilhão de quilômetros
e continuar no mesmo metro quadrado

é preciso ar

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Taxidermia

prisão de pele e carne
escassa de espaço
pra guardar tanto querer
tanta coisa que pulsa no ser

mas afinal:
o corpo é?
o corpo sou eu?
ou eu sou corpo?

comida
bebida
cigarro
sexo
sustento pra carcaça
óleo pro homem-máquina não enferrujar

é tanto tato que com o tempo o teto desce
e se sou caixa, guardo o quê?

muita gaveta pra pouco móvel
e já dizia Maria:
não sei se é um, dois ou mais
mas sei que é
e dói

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Andarilho

deixa-se ouvir dos trilhos:

"surdo, mudo e cego
a cidade ou o poema?
tenho vivido um dilema"