segunda-feira, 14 de outubro de 2013

práxis: última pergunta ao co(r)po

outra vez mais
não posso.
te tenho
e me escapo:
no tato
somos gato e rato,
mal trato
(me detenho)

no compasso
fujo.
abomino o jogo,
mas do abismo eu pulo
(desdenho do risco, arrisco)

não contenho
e sou
quando deveria prever a queda
(você me sorve a calma)

teu braço,
éramos ao menos metade
e não sei ser o que não fui
- já que feito pra nunca ser - 
não flui
(rio não é)

projeto de feto não nascido,
és protótipo indeferido,
indiscreta frustração do eu
que revisito no outro
quando toco
você em mim
(defeituoso veneno intravenoso,
injeto)

deixa de ser pele
e varre de mim o apelo,
já que não peço e não sei dar.

não há meia-volta,
reconciliação não há
que há quereres irreconciliáveis
e entre o servo, o espírito e a carne
escambo não há
(será?)

fico no ar,
inalo
- renúncia -
pronuncio calmo
e suspiro
é a última no ar,
enfim a sós.

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