Um dia eu conheci uma morena. Mas conheci devagar, que essa nega é que nem botão de flor preguiçosa: vai se abrindo pouco a pouco, até desabrochar. E ficamos assim, amigas. Essa morena entrou na minha vida e sinto falta dela agora.
Saudade, sim. Eu, que falo tanto de mim, que nunca elogio ninguém, que nunca olho pro outro... Tenho pensado nela. Agora que ela tá por aí, ao sabor do vento, eu tenho que me contentar com a parte dela que me sobra na cabeça.
E sobra bastante coisa. Sobra a fala mansinha, o riso de menina, as mãos delicadas, a indecisão (que combinava muito com a minha, aliás), o olhar calmo e a boca com sabor de sol.
Mas essa morena não é minha, pra eu poder segurar... Essa morena não é de ninguém. Essa morena é de todo mundo. É do mundo inteiro. Ela é um passarinho que bateu asas e deixou o pio aqui, num eco. Passarinho de gaiola, morre, nêga. Você que me ensinou.
Antes dela resolver ir buscar não-sei-o-quê (como eu, acho que ela procura tudo, só não sabe o que perdeu) lá fora no mundo, a gente aprontou muita coisa. E eu lembro de cada uma, embora a memória dela seja bem ruim. Mas essas histórias são só minhas. Se eu contar, elas se perdem. E eu, que já não tenho cá a morena, corro o risco de ficar sem sequer a ilusão dela. Não. Deixo tudo bem guardado. Não preso, que nada dessa morena pode estar longe da liberdade. Mas guardado, pronto pra quando a andarilha resolver voltar.
Ah, ela volta... Tenho certeza que um dia ela volta. Não precisa ser pra sempre, que pra sempre é tempo demais pra quem quer dar a volta ao mundo.
Quando ela me disse que ia partir pela primeira vez, era carnaval. Eu fiquei feliz por ela, porque era uma coragem que ela sabia que eu não tinha, embora a vontade fosse a mesma. Mas confesso que chorei baixinho, quando à noite, pensei que ela não ia mais estar por perto.
Mas aprendi a ver essa menina em tudo que é coisa. Aprendi a lembrar fácil de um dia que ela dormiu que nem criança, coma cabeça sobre o meu peito. Uma coisa tão forte que me fez chorar. É claro que ela não percebeu. Lembrança boa é essa que a gente tem escondida. Essa eu to compartilhando, mais com ela do que com qualquer outro, que é pra ver se ela tenta se lembrar desse dia.
Thaiane, eu te amo. Não assim, um amor apertado, desses que não se deixa respirar. Ao contrário. Um amor que deixa aberto espaço pra você abrir as asas e voar pra longe, e que vai estar aqui pra quando você resolver voltar e dar o ar da morenice. Um amor que nunca se importou de ser compartilhado, porque já nasceu assim, multiplicado ao invés de dividido.
Saudades do teu abraço, morena.
Saudade, sim. Eu, que falo tanto de mim, que nunca elogio ninguém, que nunca olho pro outro... Tenho pensado nela. Agora que ela tá por aí, ao sabor do vento, eu tenho que me contentar com a parte dela que me sobra na cabeça.
E sobra bastante coisa. Sobra a fala mansinha, o riso de menina, as mãos delicadas, a indecisão (que combinava muito com a minha, aliás), o olhar calmo e a boca com sabor de sol.
Mas essa morena não é minha, pra eu poder segurar... Essa morena não é de ninguém. Essa morena é de todo mundo. É do mundo inteiro. Ela é um passarinho que bateu asas e deixou o pio aqui, num eco. Passarinho de gaiola, morre, nêga. Você que me ensinou.
Antes dela resolver ir buscar não-sei-o-quê (como eu, acho que ela procura tudo, só não sabe o que perdeu) lá fora no mundo, a gente aprontou muita coisa. E eu lembro de cada uma, embora a memória dela seja bem ruim. Mas essas histórias são só minhas. Se eu contar, elas se perdem. E eu, que já não tenho cá a morena, corro o risco de ficar sem sequer a ilusão dela. Não. Deixo tudo bem guardado. Não preso, que nada dessa morena pode estar longe da liberdade. Mas guardado, pronto pra quando a andarilha resolver voltar.
Ah, ela volta... Tenho certeza que um dia ela volta. Não precisa ser pra sempre, que pra sempre é tempo demais pra quem quer dar a volta ao mundo.
Quando ela me disse que ia partir pela primeira vez, era carnaval. Eu fiquei feliz por ela, porque era uma coragem que ela sabia que eu não tinha, embora a vontade fosse a mesma. Mas confesso que chorei baixinho, quando à noite, pensei que ela não ia mais estar por perto.
Mas aprendi a ver essa menina em tudo que é coisa. Aprendi a lembrar fácil de um dia que ela dormiu que nem criança, coma cabeça sobre o meu peito. Uma coisa tão forte que me fez chorar. É claro que ela não percebeu. Lembrança boa é essa que a gente tem escondida. Essa eu to compartilhando, mais com ela do que com qualquer outro, que é pra ver se ela tenta se lembrar desse dia.
Thaiane, eu te amo. Não assim, um amor apertado, desses que não se deixa respirar. Ao contrário. Um amor que deixa aberto espaço pra você abrir as asas e voar pra longe, e que vai estar aqui pra quando você resolver voltar e dar o ar da morenice. Um amor que nunca se importou de ser compartilhado, porque já nasceu assim, multiplicado ao invés de dividido.
Saudades do teu abraço, morena.
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