com a devida licença
dos santos aqui presentes:
eu não posso confiar num Deus
do qual eu não posso deixar de sentir raiva
- ela disse
inerte é essa fome
e o masoquismo da falta provocada
do orgulho em brasa que queima pra marcar
e vira o rosto, como quem não se importa
e tudo pra dizer que gosta
mas gosta assim, preso
sente, mas sente reprimindo
como sapato apertado
que machuca os pés de um jeito bom
sabendo que se soltar, não volta
(com razão)
e tem medo
é melhor nunca ter
do que perder
tem medo de aprender a viver sem
ser só de uma vez
do que uma vez ser dois
pra depois ser só de novo
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